Por que é necessário inovar na gestão financeira?

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Goldwasser Neto, CEO da Accountify trouxe, em sua palestra no B2B Finance Conference, sua visão sobre o conservadorismo de parte do setor financeiro contra inovações e a inclusão de tecnologia nas demandas. 

Em um movimento constante de digitalização em todas as áreas do mercado, as principais empresas que buscam vantagem competitiva estão permitindo que suas tarefas manuais e repetitivas sejam feitas por um software especializado. 

Anualmente surgem cada vez mais ferramentas que atendem exatamente a dor do profissional, como pode ser visto nas diversas categorias do nosso portal B2B Stack. Porém, em alguns setores, como o financeiro, ainda existe uma resistência contra a mudança, algo que está enraizado na cultura do segmento. 

Pensando nisso, Goldwasser Neto compartilhou um pouco da sua experiência e opinião sobre o assunto em sua palestra no B2B Finance Conference, trazendo sua visão sobre o medo de mudanças, o uso de planilhas ao invés de plataformas de gestão financeira e o uso incorreto de dados indicadores financeiros de negócios em empresas do setor.

Goldwasser é CEO e Co-founder da Accountify, uma plataforma de gestão financeira empresarial. Tem experiência como founder e partner da São Conrado CP, além de ser sido CFO da EBAM (GP Investments) e CFO da Allis Soluções Inteligentes. Goldwasser também trabalhou como Financial Analyst na Suzano Petroquímica.

Assista a palestra na íntegra:

A gestão financeira tem uma cultura com aversão a riscos?

Goldwasser comentou sobre uma possível aversão dos profissionais financeiros a situações de risco e mudanças, respondendo que, para ele, isso de fato existe, e é um problema quando se pensa em inovações e crescimento.

“Eu acredito que o profissional financeiro tem o DNA da aversão a riscos. Eu penso que isso acaba afetando um pouco as decisões de investimento e inovação. Quando falamos de inovação, isso não quer dizer, simplesmente, colocar uma tecnologia ou usar um software. Tem a ver com mudar o modelo de negócio, acho aliás que a grande mudança é essa no mercado financeiro. 

Vemos pouco incentivo dentro das grandes empresas a inovação na área financeira. Quando você tem essa cultura de metas, existe pouco incentivo ao erro e quando você inova é normal errar. Todos tem aquela cultura do medo.

Em grandes corporações existe aquele pensamento de medo de perder o emprego, ficar com uma imagem ruim. A maneira com que os incentivos são conduzidos em uma grande empresa, unida a cultura mais rígida do financeiro, acaba atrapalhando a inovação, na minha opinião. 

Outro ponto é quando você tem uma empresa de alta tecnologia, mas o backoffice fica em segundo plano para inovar. Isso é uma outra resistência muito grande ainda.

Tem uma outra questão cultural que eu vejo muito presente é o ‘modo de fazer’, ou seja, a área financeira tem mais resistência do que outras para se adaptar a processos e benchmarks que já existem e poderiam ser aproveitados na empresa. 

Um paralelo que eu faço é quando você vai fazer a implantação de um grande ERP, o cenário ideal é sempre você sempre se adaptar ao processo ‘standard’. Quanto mais você tentar adaptar, ou personalizar, a sua implantação, mais cara e complexa ela ficará, assim resultado em mais erros. ”

Dependência das planilhas

Neto ainda deu sua opinião sobre o uso de planilhas para controle financeiro das empresas, reforçando que, apesar de entender o uso para tarefas pontuais, ainda pensa que para demandas rotineiras, a melhor opção é a contratação de um software de gestão.

“Eu acho que o financeiro ama a planilha, de um modo geral. Muitas vezes é ela que salva o emprego de muita gente também. Eu vejo que, quando você tem uma atividade rotineira, diária, semanal, o que você faz em uma planilha, muito provavelmente já existe um software que realize essa ação. 

Eu penso que planilha só deveria ser usada para coisas pontuais, que não te demandam aquela rotina diária. Preparar planilha não gera nenhum valor para a empresa. Os riscos envolvidos são muito grandes, especialmente em empresas de capital aberto que necessitam de precisão nos dados. Também existe o risco da continuidade dos processos.

Ou seja, o ‘planilheiro’, aquele profissional que é bom mesmo, consegue fazer uma planilha muito complexa. O problema está quando ele sai pois ninguém consegue dar continuidade naquele trabalho que ele começou.

Além disso, você está gastando energia na produção de dados, e não na discussão das informações, geração de insights. Quando a empresa fica presa ao jeito tradicional de se fazer, muitas vezes acaba perdendo várias oportunidades de absorver oportunidades mais práticas e leves.”

Leia também o nosso artigo abordando as principais ferramentas de gestão financeira empresarial.

Falta de visibilidade de indicadores de negócio

Por fim, Goldwasser Neto ainda foi questionado sobre sua visão sobre o uso de indicadores de negócios, e a falta de visibilidade para os mesmos em muitos casos.

“As pessoas, de uma maneira geral,  não tratam os indicadores com método. Então, estudam pouco o assunto para chegar nesses indicadores. Temos muitos clientes que nos pedem para adaptar o que ele já enxerga, dentro de ferramenta. Quando você vai criar as fórmulas, ficam coisas horrorosas. 

Vemos, nesse mundo de venture capital, empresas de tecnologia só se preocupando com indicadores macro e esquecem de cruzar com os dados financeiros que, no fundo, é o que a empresa está dizendo que ela é. Isso tem que ser refletido nos indicadores financeiros.

As pessoas tem que cuidar mais disso pois, no momento de uma ‘due diligence’, isso será observado. Então passe a acompanhar e busque a eficiência considerando o custo e indicadores corretos da empresa.” 

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