Inteligência fiscal: como implementar uma gestão tributária eficiente na era digital

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capa palestra eduardo pontes

A digitalização do setor tributário é um dos grandes assuntos da área e a importância do gestor nesse processo é muito importante. Eduardo Pontes, Tax Partner na Infis Consultoria, trouxe em sua palestra para o B2B Finance Conference, parte da sua experiência e opinião sobre o assunto.

O assunto da digitalização é comum em todos os setores do mercado. Como já abordamos aqui inúmeras vezes, empresas e profissionais que ainda não entenderam a necessidade de automatizar e se atualizar estarão sempre um passo atrás em relação à concorrência.

No setor tributário isso não é diferente e cabe ao gestor, em muitos casos, ter o insight de encontrar maneiras de otimizar as demandas do seu negócio e equipe. Isso passa, em grande parte, pela procura e implementação de softwares. 

Pensando nisso, Eduardo Pontes trouxe, em sua palestra pelo B2B Finance Conference, um pouco de sua experiência sobre o tema, oferecendo diversas dicas e direcionamentos para empreendedores e profissionais tributários.

Eduardo é Tax Partner na Infis Consultoria e já atuou como coordenador acadêmico no Curso CADP, Tax manager na Sapiem e Tax consultant na Technip. Formado em Contabilidade e Finanças na Universidade Estácio de Sá, também possui MBA em Gerenciamento de impostos e contabilidade corporativa na UFF.

Assista ao conteúdo na íntegra:

Como funciona a terceirização das operações tributárias?

Pontes comentou sobre a necessidade de terceirizar ou internalizar a gestão tributária, reforçando a importância de empreendedores conseguirem focar devidamente em seu negócio.

“Essa é a pergunta que todo empresário, independentemente do tamanho, tem que fazer. Em relação a representatividade dos tributos no PIB, que já é gigante, ainda existe a parcela sobre essas empresas também. 

Ainda estamos falando de um percentual muito grande. Por isso, a gestão é fundamental, ela deixa de ser só um backoffice, para estar junto da tomada de decisão de negócio.

Ou seja, existe sim, para as pequenas e média empresas, uma análise sobre internalizar ou terceirizar o custo, que, para o empresário, esse orçamento para a área contábil e financeira é desafiado pelo orçamento geral do negócios, para investimento em melhorias. Isso é concorrente pois a empresa não tem esse dinheiro sobrando. 

O mercado da terceirização está crescendo mas é importante ter um perfil de parceria, para que o empreendedor possa focar no negócio. Temos alguns clientes que são da área de tecnologia mas quando falamos da inclusão na área fiscal a pessoa é completamente desencontrada.

Por isso que se você deixar isso na mão de uma empresa especializada, para o cliente focar no negócio dele, você poderá juntar as duas funções para realmente crescer.

Resumindo, a empresa tem sim que se preocupar com isso, seja interno ou em VPO. Isso começa pela escolha básica do sistema, do ERP, que terá já a integração com a área fiscal, e isso parte de um processo de desenvolvimento que é complexo mas necessário. 

Se isso não estiver bem feito e bem pensado, a empresa irá se desenvolver e isso será um problema de difícil correção.”

O que temos e o que virá para acompanhar os avanços tecnológicos?

Eduardo ainda comentou sobre o panorama atual e o futuro dos avanços tecnológicos na área tributária e indicou alguns tipos de soluções que já são tendência nas principais empresas.

A empresa tem que ter o mínimo de compliance. É custo por ser uma necessidade, uma obrigação. Quando falamos de obrigação acessória, quem já está na área empresarial a mais tempo, sabem que tínhamos declarações fiscais que eram fichas onde você informava valores consolidados: de operação, vendas. Se você fosse intimado, você precisaria apresentar algo que explicasse o preenchimento manual.

Hoje, evoluímos para um nível de tecnologia de SPED, obrigação eletrônica com um detalhamento gigantesco. Normalmente o cliente, o empresário não tem ideia do nível de informações que ele está prestando. Mas, ali dentro, é o nível de informação que vai até centro de custo do negócio. 

O que eu vejo de investimento para isso: existem soluções tributárias e fiscais no mercado que vão trazer, a partir dessas informações, dashboards, custo, formação de preço e muito mais. Isso ajuda você a ter um relatório que ajude com as tomadas de decisão. Você terá diversas situações em que essas informações permitirão realmente ter uma visão do negócio.”

Digitalização da mecânica tributária. Existe um perfil de gestor ideal para esse momento?

“Eu não tenho dúvida que o perfil ideal precisa, no mínimo, estar antenado às mudanças de tecnologia. Ainda vejo muito gestor que quer aquela equipe grande na área fiscal, com 10 analistas que realizam o fechamento, para controlar no manual, na escrita fiscal. Com certeza esse não é mais o perfil. 

O que tenho visto no bom perfil é aquele que vai no mercado e busca soluções. É muito difícil você ter esse conhecimento técnico pois a área humana e a tecnológica são muito afastadas. Muitas vezes o gestor da área tributária se formou em direito ou em contabilidade. 

Antes dizíamos que o gestor da área tributária tinha que ser muito bom em Excel. Hoje isso acabou pois a pessoa já tem que sair da escola sabendo isso, é uma ferramenta básica. 

Hoje em dia temos o Power BI, por exemplo, e a pessoa tem que ter o mínimo da curiosidade de conhecer, se informar e preparar. Isso é importante para entender as ferramentas da área fiscal como solução de gestão.

Um gestor, hoje em dia, além da questão de RH, tem que estar atento a tecnologia e ao mercado. O que o consultor traz de diferente? Não é só conhecer mais do tributo do que o gerente da área. É sim trazer um benchmark e estar atento ao que acontece no setor.

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Essa palestra fez parte do conteúdo do B2B Finance Conference, o principal evento online sobre transformação digital para gestores financeiros do Brasil. O evento contou com mais de 30 experts do mercado que discutiram as novas tendências da área em 4 dias de palestras com muito conhecimento e experiência de quem entende do assunto.