Os desafios da previdência e o papel das empresas para o futuro financeiro de seus colaboradores

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Entenda o panorama da previdência no Brasil, juntamente com os desafios e o papel das empresas no futuro financeiro dos seus colaboradores. Antônio Rocha, co-fundador e CEO na Onze, trouxe sua visão sobre esses temas em sua palestra pelo B2B Finance Conference.

Em tempos de incerteza, a discussão sobre o futuro se tornou cada vez mais comum na sociedade como um todo. E com isso, a previdência também ganhou destaque, especialmente com a reforma realizada em 2019.

Porém, mesmo sendo um conceito importante, grande parte das empresas ainda não oferecem um serviço de previdência privada para seus colaboradores, um cenário completamente distinto de outros países do mundo. Pensando nisso, Antônio Rocha trouxe um pouco da sua experiência no assunto em sua palestra pelo B2B Finance Conference.

Antônio é co-fundador e CEO na Onze, a primeira prevtech do Brasil, empresa com a missão de reinventar a previdência. Além disso, também atuou como consultor de empresas pela McKinsey e é formado pelo IME-RJ em Engenharia de computação.

Assista à palestra na íntegra: 

Panorama da previdência e o papel das empresas

Antônio comentou sobre o panorama atual da previdência no país, e o papel das empresas na mudança desse cenário.

“Não tem como falar da previdência sem falar da previdência pública, que está essencialmente quebrada. Em 2019, vimos o rombo na previdência atingir números recordes, mais de R$200 milhões. 

Não é a toa que aprovamos a reforma da previdência. Um dado chocante é que: em 1980, tínhamos cerca de 9 pessoas em idade ativa para cada idoso. Hoje esse número está em 5. Então, o envelhecimento da população não ajuda.

Outro dado interessante, do IBGE, é que só 1% dos brasileiros conseguem manter o padrão de vida com o INSS. 

Mas o que as pessoas fazem? 46% dependem de parentes, quando se aposentam. 28% dependem de caridade e 25% precisam continuar trabalhando. O INSS é insuficiente para as pessoa. E foi aí que veio a reforma.

A falta de poupança, de olhar para frente e ver um futuro financeiro, deixam as pessoas estressadas e isso gera uma série de problemas para as empresas. 

Outro dado interessante é que as empresas têm um papel de protagonismo nisso, assim como tem confiança nos empregadores para recomendações financeiras.” 

O benefício para as empresas

Nunes ponderou também o benefício para empresas que embarcam nesse caminho, trazendo pontos como a redução tributária e a retenção dos colaboradores.

“Quando falamos de como a empresa pode atuar, seria mesmo por meio de uma previdência privada. Hoje temos mais ou menos 13 milhões de brasileiros com previdência privada. É um número muito baixo em relação a outros países. 

Quando olhamos para a previdência privada corporativa, que é onde a empresa ajuda ou facilita a esse colaborador, a adesão é mais baixa ainda. Temos uma estimativa que apenas 8% dos trabalhadores formais do Brasil tem uma previdência privada, contra 52% dos EUA.

A previdência privada é bem utilizada pode ser benéfica tanto para os colaboradores quanto para as empresas. 

Para os negócios, esse benefício custa muito menos do que parece. Comparando com o salário, por exemplo, existem diversos encargos trabalhistas, que a previdência não tem. 

Assim como um salário, também existe um abatimento da sua carga tributária. Por fim, a previdência é instrumento muito importante para retenção. 

A partir do momento em que a empresa estabelece uma regra de, por exemplo, se o colaborador poupar 2% do salário, a empresa coloca mais 2%, ela está criando incentivo para que o funcionário poupe. Mas, também está criando uma poupança para ele, podendo criar mecanismos para, de acordo com o tempo de casa, o colaborador ter mais ou menos acesso a isso. 

O que muda para as empresas menores?

“O mecanismo da previdência privada corporativa é voltado para empregados CLT. Quando você vai para colaboradores PJ, você começa a entrar nos planos individuais. 

Uma das vantagens da previdência é que pode ser reduzido da base tributária. Obviamente ela é mais atrativa para empresas com lucro real. Quais são os cenários ideias para aproveitar isso?

Empresas como start ups, aonde estamos conseguindo muita tração, e empresas com o faturamento maior do que o R$78 mil. Quem está no lucro presumido, depende muito do que é a previsão com relação ao lucro real.

Porém, tem uma nuance aqui, hoje o mercado oferece a previdências privadas para as grandes empresas. Uma das coisas que queremos resolver com a Onze é dar acesso para previdências menores. “ 

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