A nova realidade do trabalho e governança corporativa

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capa Tokoro

Durante o Legal Conference 2020, a mentora, conselheira e investidora anjo, Cátia Tokoro, discutiu a inovação e a governança corporativa no novo panorama do mercado de trabalho que surgirá pós-pandemia. 

Quem é a palestrante

Cátia Tokoro tem 24 anos de experiência como Executiva e C-Level, reportando ao CEO e comitê executivo em multinacionais de TI e Telecom. 

É conselheira na ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro), na Imagem Sistemas (plataforma de inteligência geográfica) e na Top2You (startup de mentoria e educação executiva). 

Membro da Comissão de Inovação do IBGC (Instituto Brasileiro Governança Corporativa – IBGC) e consultora e mentora de pessoas e empresas na jornada de Marketing & Vendas.

Para chamar a atenção para a necessidade da busca constante de atualização, Cátia usa a frase “as certezas envelhecem”. Já para reforçar a importância da inovação ela diz: “muitas empresas perdem a relevância por fazerem a coisa certa durante tempo demais”. 

Ela também acredita que no novo cenário pós-pandemia, mais do nunca, os empreendedores devem se comprometer com a tomada de decisões baseada em ética, transparência e responsabilidade social e corporativa. 

A conversa na íntegra com Cátia Tokoro você assiste aqui:

Quais são os pilares da governança corporativa e como eles são aplicados nos diferentes portes de empresa?

“Atuo de forma muito alinhada ao IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), que tem como missão desenvolver uma sociedade melhor através de uma boa governança. 

É preciso destacar que a governança não se aplica apenas às empresas de capital aberto, mas também às empresas fechadas, familiares e startups. 

Cada uma usa a governança dentro daquilo que faz sentido para o seu estágio de maturidade, mas existem quatro pilares aplicáveis a todo tipo de empresa: princípio da transparência, equidade, responsabilidade corporativa e prestação de contas. 

Neste momento de crise, tem-se falado cada vez mais sobre ética e responsabilidade social, na qual vemos uma movimentação mais solidária nunca vista aqui no Brasil anteriormente, não apenas por parte das pessoas físicas, como também das empresas. 

Parte das discussões atuais das empresas é sobre o que acontecerá depois que passarmos desse momento agudo. Quando voltarmos para o ‘novo normal’ muitas coisas serão diferentes.

Há levantamentos que mostram que as transformações mais rápidas da história foram motivadas por crises, guerras e pandemias. Portanto, é esperado que muitas outras mudanças aconteçam.

Com a pandemia, muitos projetos de transformação digital e home office foram acelerados. Um caso de transformação que podemos destacar foi a telemedicina que, até pouco tempo atrás, ainda não tinha sido aprovada para operar no Brasil”.

Dentro da esfera jurídica, como você vê a importância da mediação e resolução de conflitos no cenário atual?

“Esse é um tema extremamente relevante. Quando olhamos para os dados do judiciário, vemos que para cada adulto no Brasil, há dois processos em andamento. O prazo de resolução é longo, os custos são elevados e há muita imprevisibilidade. 

Hoje os mecanismos mais comuns nas cláusulas dos contratos começam por arbitragem, mas poderiam começar pela mediação. O jurídico tem, portanto, um papel fundamental em trabalhar nessa construção do diálogo nas empresas.

Particularmente, acredito muito no diálogo, por isso, fiz uma formação em mediação de conflitos, porque acredito que este é o caminho para obtermos soluções mais rápidas e sustentáveis no curto, médio e longo prazo. 

As soluções co-construídas tendem a ser mais duradouras e sustentáveis no longo prazo. Acredito que este é o caminho para empresas se relacionarem com os seus stakeholders. A aceitação de diálogo permite que se tome as melhores decisões e em prazos mais curtos, sendo mais sustentáveis no médio e longo prazo.

Vemos hoje muitas transformações e inovações sendo aceleradas pela crise e, para muitas delas, não há legislação específica. Por conta disso, muitas situações de conflito já estão aparecendo. 

Como forma de facilitar ainda mais, dentro da mediação de conflitos, é possível usar ferramentas tecnológicas como o Zoom e muitas outras de ODR (Online Dispute Resolution), que dispensam a necessidade da presença física das partes”. 

Pensando nesse “novo normal” que está surgindo, quais são as mudanças mais importantes e como os profissionais do jurídico podem se preparar?

“Para se manter relevante em seu mercado de atuação é preciso se atualizar constantemente. Uma premissa que a ser adotada é ‘desaprender para aprender’. Acredito muito no ‘lifelong learning’ e pratico isso no meu dia a dia.  

O mundo é volátil e muda em uma velocidade cada vez maior. Estamos vivendo um momento agudo de mudanças no qual as pessoas e as empresas sairão diferentes.

Estamos vendo algumas discussões entre as empresas sobre a necessidade de se manter espaços físicos exclusivos de trabalho. Talvez, em um futuro próximo haja a preferência por soluções compartilhadas. 

Vemos também a ‘coopetition’ como uma outra tendência importante, na qual empresas concorrentes podem se juntar e cooperar em alguns momentos. 

Com a quarentena também vimos um aumento no interesse por conteúdos como forma de manter uma educação continuada, o que é uma tendência forte para o autodesenvolvimento.

Todo mundo deveria estar preocupado em inovar. Inovação não se trata de algo tecnológica apenas. Ela passa por uma organização de rotina, replanejar sua vida em todas as áreas.”

Como os gestores podem olhar para os impactos positivos e oportunidades que podem surgir com essas mudanças?

“Tendo a olhar para o lado positivo, mas devemos ficar sempre atentos às possíveis consequências e, também, aos impactos positivos que podemos gerar.  

Acredito que com a pandemia temos sido mais colaborativos e produtivos no trabalho, usando muito bem as ferramentas de comunicação remota. O exercício da empatia também ficou mais forte. 

Estamos inovando na forma de trabalhar e no uso das soluções e esse é um movimento que não irá parar, é preciso se atualizar. 

Vemos o varejo adotando estratégias híbridas de comércio online e físico, o fortalecimento da telemedicina, a integração de startups com grandes empresas para uma cooperação mútua, o que tem garantido, em muitos casos, a sobrevivência desses negócios nesse momento de crise. 

A pandemia também despertou para a necessidade da tomada de decisão de forma social, ambiental e eticamente mais responsável”.

Quer ver mais conteúdo sobre gestão jurídica?

Essa palestra fez parte do conteúdo do B2B Legal Conference 2020, o maior evento online jurídico da América Latina, que contou com mais de 15 palestras com experts da área e discutiu as transformações do setor e como os profissionais podem acompanhar as mudanças.